Poucas coisas me causam tanto nojo quanto o que sinto pelo nossos Dotôs. Qualquer Dotô me causa nojo, muito mais nojo do que se fosse compar a um tolete mole e não visto que ficou impregnado entre os ressaltos da sola do tênis ao andar por certos calçadões e nem com uma limpeza de ácido sulfúrico com jato de alta pressão aquela pasta consegue ser removida.
Sinto nojo do mais alto e honorável magistrado ao mais ralé bacharel, com ou sem o distinto título da OAB, aquela organização que tolera e aprova que uma de suas distritais faça um dos maiores movimentos golpistas de desmobilização da sociedade de toda história da humanidade. Mas todos estavam e estão cansados, por isso tanta imobilização. Nojo também tenho pelo Dotô que por incapacidade seu diploma comprou; e com toda sua magnanimidade não permite ser chamado de Vossa Santidade, pois diante de um povo ignorante não é preciso mais do que um título pedante para enaltecer, nomear e pavonear um farsante.
Já ouviram falar nos problemas da Justiça Brasileira? Já ouviram os mais célebres Dotôs explanando sobre a grandíssima qualidade de nossas leis escritas de forma tão primorosa e avançada, mas nunca aplicada de forma correta? Já ouviram falar dos problemas na celeridade da Justiça? Já ouviram falar que ela favorece os mais ricos em detrimento dos pobres? Já ouviram…
Já,já,já…Chega, eu sei, meu barato não-leitor, que você cansou com essa seqüência de perguntas redundantes com uma pequena variação sobre o mesmo tema. Todos já ouvimos estas coisas milhares de vezes.
Mas tem uma coisa que nunca será respondida porque nossos Dotôs são muito melhores do que o dos outros, para parodiar aquele comercial. E que coisa é essa? Ora, é simples, tão simples que ninguém percebe. Pergunte a algum Dotô o seguinte, seja educado de preferência, faça algo assim:
- Digníssimo Magnânimo Dotô, por que nossa Justiça é tão lenta, com tantas instâncias, com tantos recursos que postergam uma decisão por tantos anos e favorecem de forma mais clara e descarada aqueles que tem mais recursos financeiros que fazem de tudo para se livrar de uma sentença que sabem perdida?
Não é uma pergunta simples? Eu acho ela muito simples, por isso respondo sempre um porquê de forma simples. Se sei digo o que sei, se não sei digo que não sei. E pronto! Nestas oras eu lembro o que costumava me dizer uma amiga quando discutíamos algo desta matéria, ela sempre dizia: o problema é que você penso demais com a cabeça de um engenheiro. No que de pronto era obrigado a responder: como não consigo pensar com o cérebro de um verme porque não o tenho sai estas coisas e não outras, entende?
Alguém acha que daí saía briga? Nada, só amor. Mas voltando ao assunto.
Nenhum Dotô que você, meu barato não-leitor, dirigir essa pergunta responderá: “Porque é isso, mais isso, mais isso e por causa daquilo outro, também.”. Não! Responder um porquê é uma coisa deveras dolorosa para um Dotô. Você não está se perguntando que eu já sei o que ele responderá, está?
Ora, é claro que sei qual é a resposta dele. Será sempre algo deste tipo.
“Olha, veja bem, justiça feita de maneira rápida é injustiça. É coisa de Velho Oeste americano que uma pessoa era julgada, condenada à forca rapidamente e o povo se sentia saciado e assim seguiam suas vidas. Para a verdadeira justiça ser feita é preciso que as leis devam ser interpretadas de maneira correta e todos os procedimentos devem ser seguidos, cumpridos a risca e só assim a verdadeira justiça será feita…”
Alguém acha que eu inventei isso que está acima? Não! Isso ouvi hoje à tarde, no rádio, numa entrevista com algum Dotô Professor que não lembro e não faço o menor esforço de procurar seu nome. Ouvi tanto a pergunta quanto a resposta.
Releiam a pergunta e vejam a resposta. Ele respondeu algum porquê? Nenhum! Por quê? Por que vivemos no, como é mesmo que o filósofo diz?, “Brasil, o país dos Dotôs, pelos Dotôs, para os Dotôs.”
A capacidade de embromação dessa gente é inigualável. É nojenta. O entrevistador fica tão desnorteado depois de ouvir uma resposta com tantos loops, subidas, descidas, reviravoltas, torces e retorces que mais um pouco ele esquecerá até para que time torce ou onde mora. O entrevistador fica tão perplexo que não consegue captar uma mísera palavra ali do meio da resposta do Digníssimo Magnânimo Mestre Senhor Dotô Professor e usar aquela palavra para fazer uma nova pergunta para quebrar as quatro patas do Dotô em questão. Mas é algo tão simples, tão besta, tão fácil que não consigo entender como não conseguem fazer outras perguntas como estas abaixo, que eu faria se fosse o entrevistador.
- Então, meu caro Dotô Professor, já que o senhor citou os Estados Unidos, por que lá quando se descobre um caso de corrupção a coisa toda é resolvida em questão de meses, para não falar em semanas? O sujeito envolvido numa trama de corrupção é preso, JULGADO, condenado e vai DEFINITIVAMENTE para detrás das grades? E porque aqui continuam rolando e enrolando recursos atrás de recursos, instâncias depois de instâncias durante anos e o envolvido responde todo caso em liberdade?
É incrível, mas não fazem essas perguntas. É incrível, mas são sempre as mesmas respostas que, não são respostas de maneira alguma, são somente embromações e assim nossos Digníssimos Magnânimos Mestres Senhores Dotôs Professores continuam ganhando a vida de forma farta, abundante e reinante porque afinal de contas somos verdadeiramente o país dos Dotôs, pelos Dotôs, para os Dotôs.
Eu iria além. Eu ainda citaria um exemplo. Eu não me contento somente em quebrar as patas de um Dotô, eu gosto de extirpá-las, pois assim facilita o processo de cozimento. E lá iria eu assim:
- Olha, só para exemplificar, senhor Dotô Professor, no Brasil há um caso em julgamento de corrupção conhecido por Mensalão – já ouviu falar? – com mais de 40 envolvidos e que ainda estamos no processo de colher depoimentos. E isso há mais de 3 anos. Isso porque vimos e ouvimos um Presidente da República pedir desculpas publicamente por causa dos atos praticados por estas pessoas de seu grupo e ele fez referência a este grupo por “nós”. Foram faltas que prejudicaram as instituições do país e essas instituições DERAM POSSE a alguem que pediu desculpas pelas faltas praticadas por seu grupo. Deram a posse antes e depois do conhecimento do esquema montado e praticado. Caro senhor Dotô Professor, o senhor PEDE DESCULPAS PARA ALGUMA FALTA QUE NÃO COMETEU? O que falta para o senhor dizer sobre a celeridade da nossa Justiça?
Mas para fazer uma pergunta a algum Dotô desta maneira, ainda mais em um veículo de comunicação é preciso algo conhecido por COJONES. Como no Brasil ninguém sabe o que é cojones porque não está no dicionário, então, é porque não existe.
E de fato não existe. Por isso somos e continuaremo sendo por muito tempo o que eu nunca cansarei de repetir como o verdadeiro país dos Dotôs, pelos Dotôs, para os Dotôs.