Vou começar direto pelo comentário para terminar esta trilogia maldita sobre este blogue.
“AMIGÃO,EU SEI O QUE VOCÊ QUERIA SER… Queria ser comentarista de corridas de carro não é mesmo? Fala verdade… Claro que queria… Tudo bem, você não conseguiu. Cara mas o Reginaldo Leme não tem culpa disso não… Poxa amigo, o cara tem 30 anos e quase 500 GPS nas costas. Se não fosse bom não teria chegado lá não, nem com globo e nem com ninguém… Além do mais, todo jornalista tem o direito de ter uma opinião própria e expressá, e digo mais, um jornalista tão experiente e respeitado, tem até a obrigação ética e profissional de expressar suas opiniões sobre o assunto no qual é especializado, porque elas fazem parte do mix que os leitores usam para formar o próprio juízo. OK AMIGO? Você deve ser um garotão ainda, mas vê se vai aprendendo, assim você queimará etapas…”
Depois pensam que minha fúria é ódio. Mas vou fazer o quê se as pessoas são incapazes de entender o que se escreve? Mas vou tentar me conter. Toda pessoa tem o direito de expressão. Tanto Reginaldo Leme, quanto eu e o “amigão”. E com essa liberdade todos podem discordar de todos e, todos podem achar que o que o outro pensa, faz, fala seja uma porcaria tão grande, tão inútil, tão burra, que mereça um prêmio. E acabe por dar nome a este prêmio de Pé de Porco. Isso tudo é liberdade de expressão. Agora, se tal pessoa tem OBRIGAÇÃO ÉTICA E PROFISSIONAL, é outro assunto completamente distinto do que estava naquele texto. Eu, alguma vez censurei alguém? Eu, alguma vez, pedi controle sobre o que fala ou escreve ou faça esta ou aquela pessoa? Não! Aqui não. Mas tem gente que não entende. E todo domingo tem um que volta ao mesmo tema.
Este comentarista, que acabou por escrever estas porcas linhas acima, imagino que o fez pensando em alguma coisa boa. Sei também que, quando se é fã de alguem deixamos de perceber muitos defeitos, ou detalhes que não nos ficam em evidência, no mesmo tanto que fica para uma pessoa que vê o mesmo detalhe de fora. Tirando isso, sei também que sou melhor que este comentarista, ao menos na escrita. Não sou tão analfabeto assim, mas como minha incompetência para o português já é velha e notória, e reconhecida por este escrevinhador, quem sou eu para corrigi-lo? Poderia, mas não corrijo português, corrijo idéias que é mais… difícil. Não pisarei neste. Não consigo classifica-lo como lemingue, considero-o um fã, nada mais.
Ele comenta neste texto em que critico uma fala de Reginaldo Leme repetida algumas vezes. Se repetiu é porque tem plena consciência do que está falando, fazendo, escrevendo. Repetiu tanto nas transmissões da TV quando no jornal e, provavelmente -disso não tenho provas – deve ter falado no seu programa sobre automobilismo. Não fico “furioso” com um comentário como este quando é dito uma única vez. A repetição é que que causa angústia. Transcrevo novamente o que Reginaldo Leme disse retirado de sua coluna do Estadão e que causa tanta repercussão todo santo domingo de GP. É meu texto mais comentado, clique aqui se quiser ler.
“O que não falta na F-1 é desafeto do piloto espanhol. Ele nunca se esforçou para ser simpático nem mesmo ao público espanhol, de que guarda mágoas de um início de carreira e jamais escondeu isso. Tem uma frase do Alonso que é DEFINITIVA para se conhecer a personalidade deste rapaz, excepcional piloto, mas bem complicado no trato com as pessoas. Na época do primeiro título, quando um jornalista espanhol quis saber se o incomodava o fato de não ser UNANIMEMENTE admirado no país, ele respondeu: “aqueles que não querem ver as corridas, que mudem o canal para ver as touradas.”
A indignação dos fãs é por eu ter dado o Troféu Pé de Porco da semana para o comentário que está acima. É um premio simbólico. Não é real por falta de verba para causas mais nobres como, por exemplo, a Festa da Toga – ninguém elogiará meu timing neste tema? – que promovo todo ano e todos podem ver em que pé estão os ânimos depois desta festa. Mas voltando ao assunto deste texto.
Este comentarista me trata por amigão, pensa estar em pé de igualdade perante Ocram. É mais abusado do que o outro lemingue de O raio que os Parta que ainda pedia permissão para me tratar por você. Não, não é meu amigão. E notem uma semelhança incrível entre Reginaldo Leme e este comentarista, a tremenda sapiência em psicologia.
Para Reginaldo Leme basta UMA FRASE para se conhecer a personalidade de uma pessoa, no caso, Alonso. O que estou criticando naquele texto, sua opinião? Não! Estou criticando seu JORNALISMO. Por isso dei o Troféu Pé de Porco DAQUELA semana, mas ninguém percebe isso.
O que tem de opinião de Reginaldo Leme no seu comentário acima? Duas coisas: 1 – Alonso é excepcional piloto, e, 2 – Que é bem complicado no trato com as pessoas. Se eu discordo ou não disso, não vem ao caso e eu não o critiquei em uma linha sequer sobre isso.
No item 2 eu e Alonso temos algo em comum. É um mal da raça, se é que me entendem.
O resto do comentário de Reginaldo Leme não é opinião, são fatos, é seu jornalismo. Se ele está comentando fatos está fazendo jornalismo, acertei ou preciso ter aulas de jornalismo? Reginaldo nos fala que Alonso tem muitos desafetos, que nunca quis ser simpático nem ao público espanhol – tudo isso são fatos que podem ser comprovados jornalisticamente, certo? – e termina contando um caso onde um jornalista faz uma pergunta a Alonso e que este responde. A resposta está entre parênteses, não sou jornalista – outra vez?- , mas vejamos se entendo um pouco do assunto, se está entre parênteses é porque são as EXATAS palavras que saíram da boca de Alonso. Acertei ou estou sendo cruel? É meu ódio que aparece aqui? Rigor, talvez? E a pergunta do jornalista, como foi? Será que era um jornalista, como direi, decente? Vai saber né?Só sabemos que era um jornalista e espanhol. Bem, se era espanhol não se pode esperar boa coisa mesmo…Continuando.
Se disso tudo ele consegue fazer um tratado de psicologia e conhecer a personalidade de uma pessoa, concordo plenamente, é um fenômeno, ou como diria sua amiga, “um Gênio de jornalista de F-1”. Mas sabem como é, eu sou um cara invejoso, que nutre ódio, preconceitos e não tolero a liberdade de pensarem o que bem entendem. Já o “amigão” aí, tem a absoluta certeza que eu queria ser comentarista de corrida de carros. Revela não ser tão bom quanto Reginaldo, o comentarista precisou de um texto inteiro para ter esta certeza disso.
Como o “amigão” aí diz que sou um frustrado que queria ser um comentarista de corrida de carros e saio criticando os maiores gênios deste país por causa disso, sou obrigado a contar mais um pouco de minha história.
Sou engenheiro mecânico de formação. Fiz uma faculdade de engenharia e das boas – dos que me lêem sabem que nunca citei seu nome e não o farei – que entre tantas habilitações há uma que é a de Engenheira Automobilística. Tenho alguns amigos que se formaram nessa área e posso dizer aqui o que sempre disse aos meus colegas,mesmo tendo trabalhado na área automotiva pouco menos de um ano.
Quando estávamos ainda no ciclo básico, aqueles que tinham a absoluta certeza que fariam Engenharia Automobilística sempre gostavam de ler revistas de automóveis. Coisa mais do que natural. Mas isso NUNCA foi meu caso. Eu tinha certeza que faria Engenharia de Produção, mudei para Engenharia Mecânica Plena por perceber que o que veria em Produção veria tudo outra vez numa pós-graduação. E sabem o que eu dizia sobre aqueles que liam as revistas de automóveis, que se juntavam num canto qualquer, um por cima dos outros para ver as fotos dos carros nas revistas? Eu dizia:
- Esses lêem 4 rodas como garotinhos de 14,15,16 anos lêem Playboy.
Acho que dá pra entender, não dá? Morriam de rir. E eu sabia que não era isso o que eu queria pra mim. Nunca quis trabalhar com carros, mas acabei trabalhando pouco menos de um ano na área. Até os que fariam Automobilística viam como aqueles se comportavam e que tinha razão quando dizia aquilo. Querem perceber melhor como era a coisa? Imaginem a cena. Um bando de marmanjos amontoados, um deles com a revista aberta folheando, vendo as fotos e vem outro, por cima dos ombros de vários dizendo:
- Olha só o farol desse! Nóóóóósssa véi. Volta, volta aí que eu quero ver de novo, vira a página. Coisa linda!
Daí outro dizia mais adiante:
- Olha a traseira dessa Pick-up? Coisa de louco! Olha só o design? Que design! Coisa linda!
Bem, se ninguém vê semelhanças nas citações, com a mesma profunda admiração que ambas publicações causam nas respectivas áreas citadas acima… Esses grupos ficaram conhecidos como os Onanistas de 4 Rodas. Vá se fazer o que? Tem piada pra tudo, né?
Não, eu nunca quis tratar com carros. Sim, trabalhei com a área automotiva. Nem sei se seria honesto dizer isso, devido a vastidão da área em que trabalhava,que era desenho e o pouco tempo que estive nessa área. Para mim, tanto faz se fosse carro, avião, uma ferramenta, uma ponte de aço, uma bicicleta, um canivete, um…um desenho. Não me importava o que seria, minha área sempre foi desenho técnico e era disso que tratava. Eu tinha que fazer do desenho uma coisa real, e fazer funcionar. Ou vice-versa. Da coisa real, fazer o desenho. Mas nunca quis trabalhar com carros, nunca foi meu sonho, muito menos com corrida de carros, muito menos ainda ser comentarista de corrida de carros.
Nunca gostei do comportamento dos admiradores por carros. A maioria era e é incompatível com a minha personalidade. Nada contra. Eu na minha, ele na deles. Cada um com suas paixões. Mas eu gosto de corrida de carros. E também gosto que não ofendam minha inteligência. Que no caso acima ultrapassa e muito o limite. Chega ao nível da imbecilidade.
E o que está acima é critica ao jornalismo realizado. É uma imbecilidade comentar a personalidade de uma pessoa com uma frase e dizer que o sujeito não é mais simpático por não ser uma unanimidade em sua terra. Repetir a mesma coisa várias vezes então…Não tenho mais o que dizer a não ser que, a pessoa que não consegue ver o tamanho da estupidez contida nisso tudo deve ter vindo lá da terra de Oãoj, aquela terra longe pra burro.
Agora se os especialistas e admiradores da rebimboca da parafuseta são tão bons assim ao ponto de serem profundos conhecedores da psicologia humana, bastanto uma frase ou um texto, para mim, é uma nova realidade que está se abrindo. E nisso sou um ignorante.
Não sei quem mandou este comentário. Mas agradeço mesmo assim. Um dos motivos por não gostar da área automobilística são pessoas como este comentarista, que só consegue ver inveja e frustração, coisa de gente muito, mas muito inteligente. Veio lá de O Raio que os Parta também?
