Para começar, togado é expressão de excelências, mas que tem o mesmo significado de balabocabo que é expressão do populacho. Na Mansão de Inverno de Ocram, nos Alpes Sulinos com vista para o mar, onde na festa anual só entra a nata dos Dotô defte paíf, “togadogado” é a farra da toga. Como podem ver, foi uma festa superlativa.
Toga la toga…áu….toga toga toga….
O populacho, ou seja, vocês, imaginam que Ocram não tem brilhantes leitores e que não freqüenta a alta sociedade nacional. Imaginam certo. A alta sociedade brasileira em níveis Ocramáticos é uma ralé, por isso faço uma festa beneficente anual para as maiores excelências, ou os que são assim chamados por essas bandas, de “dotôs”. Estas festas beneficentes ajudam abater no imposte de renda,entendem? Populacho não pensa nessas coisas…
Enfim, vamos ao que interessa para mostrar como essas festas nunca são inócuas.
Então quer dizer que o TSE decidiu que liberdade de expressão é coisa lá duzamericanus? Que não podemos escrever na internet, nem em blogs, nem em sites privados, nem nesses sites de relacionamento em quem apoiamos e porque apoiamos tal e qual pessoa nas próximas eleições? Não podemos falar as asneiras que alguns falam sem dar o mesmo espaço das asneiras do outro? Então…
Toga La Toga…áu….toga toga toga….
Quem disse que festa na casa de Ocram não dá resultado? Faz até demais, olhem aí. Olhem os efeitos práticas dessas reuniões.
Como sabem, contava com a presença do Compadre Cumpanhêro que faz chover para que desse sua contribuição com seus super poderes para nosso concurso de garota togada molhada, lembram-se? Como alguns duvidaram da capacidade Compadre Cumpanhêro e não suportando mais a gozação da maioria emendou.
- Duvidam é? Esperem só para ver. Domingo de manhã o Rubinho estará no pódio, na Inglaterra. O filho dele me fez um pedido e vocês verão o que acontecerá.
Ouviram as risadas a milhas de distância. Mas os dotôs não esperavam pelo que viria a acontecer no domingo. Aquilo era um milagre!
Os dotôs ficaram com caras aparvalhadas, não acreditando naquilo que viam. Fazer chover durante o concurso da garota togada molhada, tudo bem, deveria ser algum truque, mas fazer chover na Inglaterra? Esses dotôs sempre subestimam as capacidades de nossos mais nobres cumpanhêros. Especialmente quando se é compadre.
A versão que se lê e ouve por aí é a do filho de Rubinho rezando para que o pai tivesse sorte na corrida. É que nos tempos da novilíngua leminguista, rezar quer dizer entrar em contato com os homens mais próximos do homem mais puro que esta terra já viu. É uma confusão causada entre a realidade e pela relação próxima ao divino, com a santidade suprema estelar. As pessoas tem dificuldade em perceberem detalhes de uma realidade meio monstruosa. Mas é fato. Eu concedo essas pequenas pérolas de sabedoria ao populacho brasileiro para que possam desenvolver a massa encefálica dentro do cérebro, como diria o homem mais puro desta terra.
Mas a festa também teve suas brigas, ou quase. Ah, a inveja. O que ela não causa. O concurso garota togada molhada é só para as mais jovenzinhas,para as que ainda estão prestando o exame de aprovação de dotô. Mas a boneca suprema que gosta de antecipar votos para exaltar sua firmeza de posição impôs sua participação. Ao fundo ouviram alguém gritar.
- Vá para Haia que a parta.
Haia que o parta é outra expressão que só os digníssimos dotôs entendem. Mas o grito veio de uma das maiores decanas desta terrinha, conhecida carinhosamente por Loba que se fosse assim, ela também exigiria a sua participação.
Daí o povaréu começou a reclamar, a gritar que assim não dava, que desse jeito era melhor acabar com a festa. Gritos irados por toda a parte. Como solicitado tive que intervir nessa confusão impedindo que a Boneca e a Loba participassem por já serem pessoas de grande destaque, não necessitando mais de pequenos méritos como aqueles. Ambas aceitaram minha intervenção e foram colocadas de volta ao chiqueirinho, que é o lugar reservada as mais puras dotôs femininas. Não costumamos chama-las por dotôas por soar pejorativo.
Na verdade minha intervenção e o impedimento de ambas no concurso foi estético mesmo. Dizem as más línguas que o apelido de Loba, da nobre decana, deve-se ao fato de ter sido ela a amamentar Rômulo e Remo. Como a visão é uma parte importantíssima para o nobre trabalho de nossos digníssimos togados não haveria motivos para correr-se ao risco de expor e exaltar o que se arrastava pelo chão do dote físico da nobre senhora.
Mas tivemos muitas outras coisas. É que ainda são segredo de estado. Nem tudo que entra na festa sai a público. Mas teve um dotô que, exasperado,enraivecido mesmo, dizia que essa semana muita coisa viria a público. E era só esperar para ver, para aprenderem com quem estavam mexendo. E não é que saiu mesmo?
Genro da Loba, como diziam as más línguas, diziam que essa raiva toda era por sua incapacidade física de consumar hoje o que lhe era poético na juventude. Dizem que são alguns dos males do poder e, como eles dizem em tom jocoso: nóis istâmus nu pudê, intão é nóis que vamu ti fu…
Acho que deu para entender a rima. Alguns gostam desta, outros usam…
Dêxa uômi trá bá iá… dêxa!
Esses dotôs cansam a gente. Em cada cabeça uma sentença. No Brasil isso é levado ao pé da letra… da lei!
Como diria o filósofo, que não é bobo e sabe se aproveitar das brechas para encher os bolsos de níquel, ainda somos: um país de dotô, para os dotô, pelos dotô.
Que festa!
