Fumar tabaco é proibido, maconha está liberado.

Então quer dizer que na Holanda está proibido o fumo de cigarro em bares, restaurantes e clubes? Que beleza! Que país civilizado. Europa é outra coisa!

Mas fumar maconha pode. E misturar um pouco de tabaco no cigarrinho de maconha também não pode, se quiser fumar tem que ser da pura, dentro dos estabelecimentos com permissão.

Não sei se é muita muita crueldade de minha parte, mas vamos lá. É ou não é a prova que o consumo continuado da maconha causa danos a, como direi?, massa encefálica dentro do cérebro?

Só pode ter sido obra de um viciado em maconha por uns 300 anos para ter a brilhante idéia de criar tal lei. E quem aprovou estava sobre efeito da fumacinha do cigarrinho do capeta – como Faustão gosta de dizer – infestando todo o plenário para aprovar tamanha insanidade.

Vamos imaginar situações belíssimas para o bom cidadão cumpridor das leis que gostaria de dar um trago num cigarro?

O dono de um bar qualquer vê um carinha de terninho todo engomado acender um cigarro,depois do trabalho, relaxando, desconfia da cara do sujeito e pergunta:

  • É tabaco ou maconha isso aí?

  • Tabaco.

  • Rua, isso é terminantemente proibido pelas leis. Fora vagabundo.

Ao lado da cena um sujeito com a camisa de Che, o quer vara, sem um contato com sabonete a 3 semanas, observa gargalhando da cara do asqueroso burguês retirado do bar de forma vexaminosa por não saber se comportar em público, impedindo assim que o povo usufrua do espaço.

O cliente vai embora, meio inconformado, mas como é um burguês que não se conforma com uma plebe rude, decide voltar na próxima semana. Ao entrar procura por um lugar meio que escondido num canto do bar, acende seu cigarrinho, até que o dono do estabelecimento percebe a presença do elemento e corre todo valente até o sujeito.

  • Voltou é? Tá acendendo o que? Dessa vez não é tabaco, certo?

  • Bem…sabe como é? É maconha, mas misturei um pouco de tabaco que tô viciadão na parada do tabaco a muito tempo, trás uma cerveja pra mim.

  • Trás uma cerveja o cara***. Fora daqui seu vagabundo. Não sabe que isso é contra a lei? Vá fumar na

Retirado de forma vexaminosa pela segunda vez, o burguês, quero dizer, freguês resolve nunca mais voltar aquele recinto de gente tão respeitosa com as leis. Percebe que não é um sujeito merecedor de tão nobre recinto. Mas antes de atravessar a rua não pôde deixar de ouvir alguém que lhe dirigia a voz. Virou para ver quem era e percebeu que era um sujeito de fala meio fanhosa que dizia palavrões e gargalhava. Era um sujeito barbado aparentando sem nenhum contato com sabonete a quatro semanas, com uma camiseta de Che, o quer vara, dizer:

  • Hey, muchacho imperialista de mierda. No vuelvas más acá. Neste ponto aponta para o dono do bar e termina: Deja el hombre trabajar.

Ah, o futuro. O que nos espera?

PS: Do que vai acima, qualquer semelhança com a criação de um slogan de campanha de um candidato a presidente de fala meio fanhosa,que também é fã de sujeitos mal lavados e barbados que adoravam um charutão na boca é mera coincidência. 

PS1: O sujeito acima estava falando espanhol, se bem perceberam. Espanhol não é uma língua muito falada na Holanda há um bom tempo. O que ocorre é que este sujeito era fluente em vários idiomas e dava provas aos seus familiares mostrando as pontas amareladas dos dedos por causa de tanto estudo. Era o orgulho da família. Dizia que saía aos bares da cidade para aprender novas línguas e sempre voltava para casa falando uma nova. Como era um garoto prodígio, propunham que se usasse uma sunga rosa nas praias que se tornaria deputado sem tardar. Mas o frio holandês e a nhaca do corpo por falta de banho o deixava encabulado. Pensava, sim, em perder um dedo num torno e virar primeiro ministro, ou Rei, quem sabe. Era um pacto que pretendia fazer com um sujeito meio avermelhado. Mas isso é outra história que cheira – essa foi sem querer, juro! – a boato.

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