Querem aprender a matar seus neurônios? Ocram ensina: leiam Caros Camaradas, quero dizer, Amigos Caros, digo, Caros Amigos. É garantido, né! Como diria meu amigo japonês. A revista deste mês é coisa do outro mundo. Nunca vi nada mais divertido. Tem uma propagandinha só, coitados, estatal para variar, adivinha de qual partido? Quem disse do PT, acertou. Governo do Pará. Há outras propagandinhas, todas da revista. Há até uma implorando para renovarem a assinatura, pois seus leitores correm o risco de nunca mais lerem coisa mais maravilhosa.
Um parêntese. Lembram-se que descrevi uma doença degenerativa do cérebro pela simples exposição ao ambiente esquerdopata? Dei o nome de Incefalopatia. Doença esta que é transmitida pelo vírus Incefalópode, também conhecido por Lula. Pois bem, estou ficando mais próximo da verdade a cada dia que passa, vejam porque logo abaixo.
Vi a revista em meu sofá, agüentar família não é coisa fácil. Resisto o mais que posso para não tocá-la, mas a capa está ali, logo ao lado, com uma capa com chamadas fantásticas e com um senhor com olhar grave e algumas de suas frases maravilhosas em uma entrevista.
No dia seguinte a revista está aberta na bendita entrevista. O entrevistado é um tal de Marcos Bagno, professor. Não resisto mais e dou uma folheada. Caio na pergunta da frase mais linda da capa. Transcrevo:
CA: Pelo que entendi, o seu trabalho representa a reabilitação dos falares populares. Considerar tão digno dizer “nós vamos” e “nós vai”, as duas frases exercem a mesma função comunicativa e uma não é melhor do que a outra. Mas como isso se aplicaria nas escolas?
MB: Do ponto de vista da lingüística cientifica não existe nenhuma diferença entre “nós vai” e “nós vamos”. As duas tem razão de ser, tem uma lógica interna, respondem a processo de transformação da própria língua. Mas aí é que entra a diferença entre um estudo sociológico e o relativismo meio simplista, essa coisa horizontal que a sociolingüística variacionista coloca. Na sociologia da linguagem vira uma coisa vertical em que os diferentes falares sociais são hierarquizados diferentemente. Então, algumas formas lingüísticas gozam de prestígio na sociedade e outras sofrem estigma. As que gozam de prestigio são aquelas usadas pelas camadas dominantes da sociedade. Quando há uma inversão desses papéis sociais – como aconteceu na França do século 18 com a Revolução Francesa -, quando uma classe social assume o poder, evidentemente sua maneira de falar vai passar a ser considerada a mais bonita, a mais correta, aquela que deve ser imitada. O exemplo da França é o mais eloqüente a esse respeito. Muitas coisas que eram condenadas, consideradas feias, fala vulgar etc., com a ascensão da burguesia ao poder se transformaram no francês modelar, que todo mundo tem que aprender e ensinar.
Coloquei a resposta inteira para que alguém possa me explicar o que está em negrito. Eu simplesmente não entendi porcaria nenhuma. Será que ele queria dizer alguma coisa? Desconfio que não. É assim que começa o extermínio de neurônios, você vai lendo, lendo e quando vê está repetindo essas mesmas coisas que não dizem absolutamente NADA com a maior naturalidade. Mas esse professor com um saber todo iluminado tem mais a dizer.
CA: No caso do Lula se daria a mesma coisa ou não?
MB: O caso dele é especialíssimo. Até escrevi um livrinho inteiro sobre isso, chamado A Norma Oculta, justamente no período em que ele tinha sido eleito e houve reação de boa parte da imprensa, as acusações eternas de que ele fala errado. Mas ele não representa uma revolução lingüística, porque é individuo, e as revoluções se fazem de maneira coletiva…
Aqui está a Incefalopatia em estado puro. O professor escreveu um livro intero sobre o modo de Lula falar? Só um? Mas tem assunto para fazer uma enciclopédia!
Um vírus não faz verão, precisa de uma coletividade de infectados para transmitir a sabedoria incefalopódica. Lula não fala errado, não! São as elites opressoras que não querem entender a fala suprema do homem mais moral e ético deste país. Leiam lá: “as acusações eternas”. Quando a imprensa transcreve a fala de Lula, não está transcrevendo um fato real, está acusando o homem mais puro que esta Terra já viu. Quando Lula disse: “fiquem tranquilis”, todo mundo entendeu o espanhol puríssimo do individuo Lula. Só ficamos numa dúvida terrível se era o Espanhol Castelhano, o basco, o catalão ou o mussululês. Lula é um poliglota, fala até Latim. A imprensa que fica fazendo acusações eternas sem razão alguma. São mesmo uns golpistas.
Não li a entrevista inteira, não quero exterminar minha “massa encefálica dentro do cérebro”, só passei os olhos. Daí cai numa outra pergunta sensacional.
CA: E essa invasão estrangeira, delivery, essas coisas todas, isso significa o quê?
MB: Significa que o imperialismo americano está aí, que a globalização não existe, o que existe é a norte – americanização do mundo….
CHEGAAAAAA!!!!!
Morreram alguns neurônios. Os não-leitores que ousaram chegar até aqui perderam outros tantos, perdoem.
Poderia faltar o imperialismo americano? Claro que não! Se faltasse não seria a Caros Camaradas, quero dizer, Amigos Caros, digo, Caros Amigos.
Não existe mais globalização, é? Hehehe. Não é hilário? Então quer dizer que Bidê é uma invasão americana? Baguete também? E átomo? Não consigo lembrar de outras palavras interessantes. Pô, esses americanos são demais! Até antes de existirem ele já criavam coisas para deformar a bendita língua portuguesa.
Essa revista ainda existe graças ao PT. Aplaudam, o PuTismo ainda fará muito estrago. Será preciso séculos para curar o estrago feito por essa gentalha no poder. Há uma frase em letras garrafais que estampa o inicio da entrevista que resume todo o PuTismo: “É preciso acabar com a cultura do erro”.
É içço aí. Apoiadu cumpanhêro. Errá é umanu, tudu muno erra veio. Temu qui intendê tamém i cumpriendê u qui us cumpanhero ta quereno dizê. Fiqui tranquilis qui nóis intendi u qui cê qué transmiti prus manu oprimidu pelas zelites qui queri simpô cuma norma culta da língua.Tamu na lutxa. Capitamu voça mensagi, ta guadadu nu corassão. Moro? Fé, sangui bão.
PS: La Fúria de Ocram adverte: para preservar seus neurônios evite ambientes esquerdopatas.