Feliz 2007. Adeus ano novo. Dito isto, um momento de reflexão no último texto do ano para o que foi e para o que virá.

Posso resumir um ano de fúria, um ano de miséria intelectual, analisando o que escrevi e o que outros escreveram. Volto,pois o tema volta. E voltará novamente em 2008, pois aposto que ganha o Jabuti. Anotem aí, é minha previsão para 2008. Não quero mais voltar ao tema e farei de tudo para que este seja o último texto a respeito. É impressionante a importância que certas coisas tomam, por mais irrelevantes que sejam.
Do que escrevi posso resumir assim: que importância tenho? Que diferença faço? E disso cada um faça sua reflexão. A minha resosta é: nenhuma, nada.
Agora do que os outros escreveram. Por que tanta “fúria”? Por que dou tanta importância a coisas pequenas? Por que dou importância a um livro que ninguém leu e que ninguém lerá? Por que falar mais de um livro que todos dizem ser de grande importância, erudição, que todos aplaudem, elogiam? Por que dar importância a algo – que sei – que não sairá de um pequeno círculo de grandes iluminados? Pra que ser do contra em algo que é unânime?
Simples. Escrevo em “fúria”, pois também sai do meu bolso. Escrevo porque é lixo que reflete a qualidade de uma instituição sustentada com MEU dinheiro, o seu, enfim, o nosso dinheiro. Só isso? NÃO! Escrevo por principio.
Se somente eu estiver dizendo algo,não me calarei porque alguém me mandou calar por qualquer motivo que seja ou porque estarei sozinho nessa grita. Me calarei, sim, se estiver errado, não por não pertencer a um pequeno círculo disto ou daquilo e me ver desautorizado por lemingues amestrados. Continuarei dizendo se achar que deve ser dito e cada vez mais forte, mais alto.
Já me coloquei para escrever “A dança dos capetas”. No principio era mera ironia, agora virou um objetivo de vida. Vou escrever, vai demorar, mas vou escrever. Já tenho o título e um ou outro texto. Vou falar de tudo. De tudo um pouco. Leio um montão de livros, coloco tudo numa bibliografia de preferência extensa pra mostrar erudição, dou uma remexida neste caldeirão cultural incultural que está o Brasil, mando para um ou dois colunistas culturais que não lerão o livro, e ver no que dá. Se der uma gorjeta aposto que elogiam sem ao menos lerem a orelha do livro.
Se não der certo eu vou até a USP, coloco o mesmo livro numa tese de doutorado e sairei dali louvado. Simples e fácil.
Mas consigo reduzir minha fúria em tópicos. Como vou ficar calado, diante de tamanha exaltação de um texto recheado de erros e exaltado como de extrema erudição? Como ficar calado diante daqueles que não aceitam críticas – e comprovei aqui – mas não se dão ao trabalho de ler aquilo que outros estão criticando? Como ficar calado diante dessa miséria intelectual exaltada como erudição? Como ficar calado diante disso tudo?
Disso tudo,vejam o que aprendi:
1 – Fiquei sabendo que a bandeira inglesa tem a cor azul.
2 – Ver um historiador colocar dois eventos distintos em datas incompatíveis NUM MESMO PARÁGRAFO . E isso é erudição. Isso é conhecimento do assunto que se está tratando. Isso é pesquisa e revisão bem feitas.
3 – Ficar sabendo que ao escrever um livro é melhor escrever o bonito ao escrever o certo. Exemplo, ao invés de citar o animal VEADO cite CERVO. É mais bonito e não é pejorativo. Mesmo que não faça relação alguma com a realidade, isso é o que deve ser feito. Erudição também é polidez, mesmo falseando a realidade!
4 – Ficar sabendo que um sentimento COLETIVISTA vem de uma região onde há MOVIMENTOS SEPARATISTAS históricos.
5 – Ir pesquisar na bibliografia de onde saiu a heráldica que está ilustrada no livro e ver que saiu de…de…de onde mesmo?…Vá saber! Talvez de um entre tantos dicionários ou enciclopédias apontados na bibliografia. Não saiu de nenhum livro específico, revista ou pesquisa. Então presumo isso. Os exemplos não sairiam de um quiosque de shopping center, não é?
6 – Ver que essa pequena coleção de sabedoria sair de um apanhado do conteúdo de aulas de uma PÓS GRADUAÇÃO, na que é considerada a melhor universidade do país!, e tudo isso ser considerado IRRELEVANTE.
Que miséria!
São só esses seis itens que me incomodam? Claro que não. São muitos e muitos outros, e alguns que não citei aqui nenhuma vez. Não cito pois não fazem mais diferença. Como isto: um exemplo é dado numa página e páginas a frente ser citada de forma contrária. É uma espécie de déjà vu dos infernos! Eu não citei isso antes? Ah, que coisa! Não queria, não quero e não voltarei a ler o livro novamente para achar e transcrever onde está estas citações preciosas.
Já me bastou os que apontei, e apontei porque não suportava mais ler e fazer uma leitura por fazer. Não acabei de ler o livro e não terminarei. Coloquei ele ali na estante. Ficou lindo!
Pronto, chega do passado. E daqui pra diante?
Daí, que nada. Decepcionante, não? Não tenho esperança alguma defte paíf. É a exaltação da miséria. Viva!
Pois é, vá ler coisa melhor, está fazendo o que aqui, caro não-leitor? Não perca seu tempo aqui. O bom leitor não vai querer preciosidades, pensamento brilhante de uma mente furiosa, de um sujeitinho raivoso, vai? Então, vá ler coisa melhor. Vai lá. Deixe os irrelevantes falarem sozinhos. Dá certo.
Vou continuar gritando ao vento, mas feliz da vida. Afinal, tudo isso que está acima é IRRELEVANTE. E quem escreveu estas cositas aqui, não tem importância alguma e não faz diferença alguma.
Mas que continuarei a escrever, não tenham dúvida. É por princípio e uma pitada de terapia. Mas que tem gente que fica mais raivoso que este escriba, tem! Que coisa!
Feliz ano velho.
Escrito por Ocram Otineb
Escrito por Ocram Otineb 
Escrito por Ocram Otineb 
