Um dos textos mais comentados deste escrevinhador, neste blog, é este: Violência no esporte – Culpa dos comentaristas. O que me incomodava naquela época, o texto é de fevereiro de 2007, era a quantidade de repetições sobre um mesmo assunto. Não que a coisa tenha mudado muito de lá para cá, melhorou um pouco, mas ainda insistem muito que time grande, time com história é inadimissivel cair para segunda divisão.
Alguns comentaristas mais exagerados – para não dizer, mas dizendo: burros e delinquentes – não suportam nem que um time grande perca para um pequeno. É inadmisissível, imperdoável, desrespeitoso que isso aconteça! Se é assim para um jogo de futebol onde um time pode ganhar, empatar ou perder, quando uma briga acontece, então, é imperdoável que o time apanhe dentro de campo. E para mostrar como brasileiro é macho, seleciono a fala de Neto do dia 19 de Novembro de 2009, no programa Jogo Aberto:
“… tem que dar porrada mesmo, não pode deixar esses caras fazerem o que quiser com a gente, certo, véio! Tem que dar porrada mesmo, mano. Esses caras tacam pedra na gente quando vamos lá, quer brigar aqui, tem que dar porrada mesmo, véio.”
Isto é Neto, na emissora mais delinquente do Brasil, a Bandeirantes. E imaginar que receberemos uma Copa do Mundo em breve! Neto, é o sujeito que tem opinião, e que tem modos. Que modos! Que linguajar! Não consigo ver Neto na TV sem lembrar da criação de Olavo de Carvalho, o supositório de opinião. Para qualquer asneira que Neto diz e alguém disser outra coisa, mesmo que esta outra coisa não contradiga o que Neto disse, o sujeito todo valentão e com autoridade ímpar, interrompe exaltado: “Mas é minha opinião, mano, é minha opinião!”. Um supositório do tamanho de dois Maracanãs não remediaria a delinquência de Neto.
Agora volto só no título do meu texto, violência no esporte nunca, jamais, é inconcebível que parta da delinquência verbal de certos comentaristas esportivos, certo? Considero que até Goebbels diria que estou falando asneiras.
No mesmo dia da briga do Maracanã também tivemos a briga dos porquinhos em Porto Alegre. Aí, quem ligar o destempero dos jogadores dentro de campo com a delinquência verbal do presidente do clube faria um despropósito, certo? Dizer que a “mídia de merda”, como diz a Toletinha, esconde muito do que os companheiros-camaradas fazem ou deixam de fazer, seria outro despropósito maior ainda. Então vou pegar as palavras do “Professor Belluzzo”, copiada do site de Juca Kfouri do post Fala, Belluzzo!, do dia 19/11/09 as 12h42.
” Eu me rebelei contra uma arbitragem visivelmente arranjada no âmbito das “conexões” que você costuma denunciar.
Estranhamente, a questão Simon desapareceu de cena, mesmo depois do citado arranjador de resultados ter mudado várias vezes as explicações sobre seu erro crasso.
Jamais escondi que o time vem mal há tempos, isso muitos antes de meus protestos no episódio Simon.
Me envergonho das promessas condenáveis de aplicar uns tapas no desonesto.
Isso merece a condenação pública, geral e irrestrita.”
Me envergonho! É isso aí professor, parabéns! Leio isso e penso, filosoficamente: Me cago en las madres que os parió! Deveria se envegonhar da gramática, também. Depois do julgamento que condenou Belluzzo por causa do que disse, não podendo assinar como presidente do clube dos porquinhos, o “professor” que precisa rever algumas aulas gramaticais – e quem corrige o erro do pronome é este anarfa de escrevinhador – disse: “… não me arrependo de nada do que disse. Só acho que, talvez tenha exagerado ao dizer que bateria nele…”
Cito de memória. Mas o “acho” e o “talvez” ficaram gravados na minha cabeça. É, não falemos de violência no esporte, depois de duas semanas depois da língua solta a pessoa ainda “acha” que tenha exagerado na dose.
Não condeno quem diz juiz ladrão no calor do jogo, ou logo depois dele. Até porque sobre juiz ladrão e jogos roubados Belluzo entende bastante, uma vez que considera a final do Paulista de 93 contra o Corinthians a maior vitória na história do seu time. Quem considera aquilo como a maior glória do seu clube não tem medidas do ridículo. Sem falar, mas falando, na honesta e gloriosa Parmalat, aquela empresa que gastou rios de dinheiro para fazer sua marca pegar no Brasil, o que na época estava difícil de se fazer a marca pegar, ter dois anos seguidos de insucessos com sua empresa parceira não seria uma parceria tão frutífera, rentável, enfim, gloriosa! Certo? O momento era aquele, e foi!
Mas uma coisa é falar que o juiz é ladrão, como se diz popularmente, outra é dizer que é “arranjador”. Só falta me dizerem que é a versão erudita do termo, assim como aquele outro “professor” da USP fez com cervo e veado! Pior que isso é dizer que dará porradas no sujeito, aí é imperdoável. Como disse o inteligentíssimo Adalberto Piotto, cito de memória sobre o gol anulado de Obina: “o juiz de futebol que erra num lance desses comete um erro muito mais grave do que um presidente de clube que diz que vai dar porrada, porque é um erro que mexe com a paixão de milhões, e não uma coisa de uma pessoa contra outra”.
Deus! É um fanfarrão. Não consigo entender como ninguém puxa a orelha de tão delinquente fala. Como se o presidente do clube não tivesse influência alguma sobre a paixão desses mesmos milhões. Aliás, tem muito mais influência, posso dizer sem a menor preocupação de cometer erros que tem até autoridade sobre boa parte dos milhões da citação. Daí vejam o quanto de delinquência há na fala destas pessoas que venho citando.
Não consigo colocar um link direto para o texto da mensagem de Belluzzo para o blog de Juca Kfouri. Por isso coloquei título, dia e hora. Vale a pena ir lá, persquisar, e ler todo o texto. Outro trecho de sabedoria do “professor”, que precisa rever pronomes, vou copiar e colar aqui, seguido de uma pergunta e de sua resposta na entrevista dada a Revista da ESPN número 1.
“A “boa imprensa” me traz à lembrança as palavras do Príncipe de Salina, personagem do Gattopardo de Lampedusa: “é preciso mudar para deixar tudo como está”.”
Fica por conta de vocês o que Belluzzo quis dizer com “boa imprensa”. Então, mudando para ficar como está, pego a fala de Belluzzo na entrevista à revista da ESPN.
ESPN. Mas há treinadores que também esquecem quais são as suas funções. Foi por isso que o senhor demitiu o Luxemburgo?
Belluzzo. Não foi nada pessoal e nem quebra de hierarquia, como cheguei a dizer. Ele não poderia ter se manifestado sobre a nossa parceria com a Traffic. Essa é uma questão interna do clube. O futebol já é uma instituição muito peculiar, muito amadora. Se você deixa que as coisas se misturem, fica difícil manter o controle.
Certo! E tudo que Luxemburgo fez, foi dizer que um jogador que pertencia a parceira não jogaria mais sob seu comando, porque o jogador estava com a cabeça mais fora do clube do que com vontade de jogar. Como Luxemburgo é o cachorro morto do futebol brasileiro, todo valente chuta. Resultado: Luxemburgo demitido. Fosse outro treinador, fosse Muricy, por exemplo, seria citado como exemplo de competência, dignidade, de pessoa que não se rende aos mandos dos cartolas. Como é Luxemburgo… E o time dos porquinhos está aí, dando tapas dentro de campo e com ameaças de tapas fora de campo.
Perceberam a resposta de Belluzzo? Mudou os motivos da demição de Luxemburgo? É isso, mudar para ficar como está ou para ficar pior?! Quando os companheiros-camaradas se juntam para dar publicidade a torcidas organizadas que criam sites pedindo cabeças, só pode dar em boa coisa, certo? Quem toca nesses assuntos? Conheço eu e mais…
Publicar troca de mensagens entre companheiros-camaradas, também, não é incentivo algum para a violência. Imagina! Até porque a pessoa não se arrepende do que disse, só de algumas partes e estas partes dão muito o que pensar. É só mais um espaço jornalístico, opinativo, aberto, democratico… companheiristíco-camaradístico. Lembrem quem fica dizendo por aí que jornalismo isento é ouvir a outra parte, mas não fazem isso no seu próprio blog. Lembrem quem fica dizendo sobre a imprensa de merda aqui e acolá. Lembrem dos que falem que a esquerda, no Brasil, não existe mais e ainda publicam mensagens com saudações socialistas. Lembrem dos verdadeiros patrulheiros, dos dedos-duros, dos progressistas, dos que Caetaneiam a nossa vida. Estão aí, livres, leves, soltos e com títulos de “professor”.
Merecem o título, sempre tem muito a nos ensinar. Eles enchem o saco, mas conseguem se entregar com as próprias palavras. Não é preciso nem apertar, apertando um pouco contam tudo.
E assim vamos, escondem o que se passa na casa dos companheiros-camaradas até que a coisa exploda aos olhos de todos e a casa caia sobre a cabeça de alguns. É mais fácil expulsar dois jogadores que se esmurram dentro de campo porque isso mancha a história do time dos porquinhos, do que expulsar presidente que promete dar porrada em juiz de futebol. Se não foi expulso é porque foi coisa digna do clube e, de forma alguma, mancha a história do clube. E isto nem preciso perguntar se é certo ou não, já é fato e é mais que certo. É digna dos porquinhos. É por estas e outras que colocaram este animal como símbolo do clube, coisa que, aos poucos, os porquinhos foram aceitando com naturalidade.
Ainda não vi gambá sair cantando por aí que é gambá. Ainda não vi cervos, quero dizer, veados, saírem por aí dizendo que são veados. Mas os porcos já aceitaram há muito tempo.
Mas voltando aos companheiros-camaradas-professores, enquanto há lucro comemoramos escondendo os podres, quando o lucro não parece que virá nos aconchegamos ao moralismo bocó dos companheiros-camaradas que dominam toda a “mídia de merda!, que são o ultimo refúgio dos… dos… está dificil encontrar uma palavra compatível com as personagens, com os patriotas. Pronto!
E terminamos assim, vendo os porquinhos se chafurdarem, tristes por um lado, felizes por outro.
PS: Saudações capitalistas, conservadoras e reacionárias.
PS2: Lembram que disse que ainda publicaria um livro chamado A dança dos Capetas? Aquele que seria um livro sobre esporte, sociedade, história… assim, coisa bem erudita? Já começo a pensar de forma bem séria sobre o assunto, porque não tenho vergonha do que escrevo quando trato deste temas por aqui, quando erro, corrijo e não preciso de ninguém para me defender, muito menos defender intelectualmente. O livro que enseja a vontade para que escreva o meu, seu autor não tem mais a coragem de dizer nem o título do livro. Contenta-se somente com o subtítulo. E o que era um historiador medieval agora é apresentado como um professor aposentado, estudioso do esporte nas diversas sociedades. O jornalismo brasileiro me dá nojo.